Showing posts with label Lino Abreu. Show all posts
Showing posts with label Lino Abreu. Show all posts

Friday, 12 October 2012

Lino Abreu - Os Goeses (1966)

Já se suponha escrava a alma goesa,
De luta incapaz, já sem hombridade,
Na masmorra do Ócio eterna presa,
Jamais sonhando a sua liberadade.

Deita então a cobiça na “Fraqueza”
Olhar que não conhece a saciedade:
“Tão só! E p’ra mais tão fraca a Princesa!”
Fácil é tê-la toda a eternidade!”

Mas não tarda ela a ver o claro dia
Romper nos que julgava escuros céus,
E a “fraqueza” tornar-se em valentia:

Bravos viu lendo ao mundo feitos seus
E onde pensava bravas não havia
Quantas Joanas d’Arc! Quantas, meu Deus!

Thursday, 30 August 2012

Lino Abreu - Criação de Amor e de Ciúme (1968)

Cioso de mundo,
Do rir profundo
Que nele havia,
Um deus, um dia,
Meditabundo
Ao vale fundo
Duma alta serra
Desceu
Do céu
À leda Terra.

E ali, irado,
Transfigurado
Em um vulcano
No ódio insano
Só, ao luar,
Entrou a malhar
Setas ervadas
Que disparadas
Fossem ferir
O homem a rir;

Grave, colheu
A luz ao céu
Ao vinho a cor
O aroma à flor
E na ira ardendo
Foi os tecendo
À luz da Dor.
Co’o rubro ardor
Do fogo
E logo
Nasceu o Amor.

A noite escura
Pede a negrura;
À alma doentia
A hipocondria
Rouba tristuras
As sepulturas
E logo, horrendo,
À luz da lua
Co’a força crua
Dum fino gume,
E então
Na mão
Rugiu o Ciúme.

Assim quis um deus um dia
Rir-se de quem muito ria.

Friday, 16 September 2011

Lino Abreu - Minha terra cobiçada (1964)

Já outrora, de Além-Gates,
Ó Terra de mim sonhada
Em meus sonhos encantados,
Reis e sultões, em cobiça ardendo,
E de tesouros sem fim carregados,
- Hostes imperiais, enlouquecendo,
Da raça do tigre,
Fio nos aços, adagas no olhar,
Em pó envoltos de uma longa estrada,
Te vinham à porta bater!
Formosa Noiva, frágil, solitária,
Foste por eles cobiçada!

E, de Além-mares,
Ébrios da tua fama,
E ávidos de te ver,
Marinheiros que à Morte
Rente navegavam, sem a temer,
- Impávidos triremes, caravelas,
Ao vento afeitos e ao mar,
Ao sol e às estrelas
Te vieram as praias adorar!
Bela princesa, rica e decantada
Foste por eles cobiçada! 

Ó velho ninho meu, que de um a serra,
E, do outro lado, o mar recorta,
- Tecido do berilo das colinas,
Que são deusas,
E dos cristais dos rios.

Que são baladas,
Não ouves agora, não,
Já de novo bater à tua porta,
E por ti gritar também,
Do Gigante a voz, como o trovão?...
Mas sossega!... Ninguém!
Vinda de Além-Gates,
E só a Cobiça que de novo bate.
E não
A Razão!