Showing posts with label Konkani Poetry Translated into Portuguese. Show all posts
Showing posts with label Konkani Poetry Translated into Portuguese. Show all posts

Friday, 9 January 2015

Bicaji Ganecar - A Barca da Minha Vida (1968)

A barca da minha vida
Sempre avança
Com a esperança
De ver a terra prometida.

Abrindo o caminho
P’lo torvelinho
Ela desliza
Com a brisa
Com o seu olhar
No porvir
Que vê sorrir
À beira do mar.

Aonde se eleva
E se torna espuma
E no céu a treva
Se avoluma...
O meu desejo
Se aproxima.
Mas cá em cima
Só pedras vejo.

Serviu o país
Com o seu suor
Foi tudo feliz
Com o seu amor...
A todos amou
Com paixão
E rubra ficou
Com o chão.

Traduzido do original em concanim por Remígio Botelho.

Monday, 18 March 2013

Bicaji Ganecar - Sonho d'Amor (1969)

Ao ver-te andar tão cheia de graça
Tanta coisa em mim se passa
O sangue a correr
Acelerado
A mente a querer
Sentar-se ao lado,
E pensar, pensar
Quando te adorar.

O vento a beijar
Teu cabelo liso
E um ritmo preciso
No teu andar...
Com o fulgor
De tanta graça
Se enche a taça
Do nosso amor.

Para eu compor
Esse canto de amor
Tive de abrir
Meu coração
Inda a florir
Para cantar
Essa canção
Em teu louvor.
E rivalizar
O sonho
Tão risonho
Do nosso amor.

Traduzido do original concani por Remígio Botelho.

Thursday, 14 June 2012

RV Pandit - O Sangue do Escravo (1962)

Era uma festa dos vermelhos,
À qual assistiram
Todos os vermelhos do mundo:
O vermelho perfumado da flor,
O vermelho áureo do céu matutino,
O vermelho do arco-íris
E o vermelho do rio turvo,

O vermelho dos dedos pintados,
O vermelho flamante da gravata,
O vermelho dos lábios “abolim”,
O corar da virgem casta,

O vermelho sanguíneo do poder insolente,
O vermelho róseo do nascer da liberdade,
O vermelho sufocante da luta nacional
E todos os vermelhos do mundo...

Mas, quando a festa começou...
Um vermelho infeliz foi visto num canto:
Era a cor do sangue dum escravo algemado.

Tradução de Mucunda Quelecar

Friday, 8 June 2012

Manoharrai Sardessai - “A Imortal Chama Nehru" (1965)

O corpo se fez chama
E arde
O olhar se fez raio
E brilha
Transmudada em fogo,
Em flama,
A rubra gema
Brilha com maior fulgor.

Vede com ela saltita
E se precipita
Em direcção ao céu
Em asas de oiro
Quando ela crepita
Nela palpita
O coração de Jawahar.

Nesta chama persiste
Quanto de sagrado existe
Nela vivem os santos lugares
Prayag, Madura, Benares.
É da Índia a alma
Da sua vida a flama
Que a todos envolve
No seu halo de luz.

Quando a injustiça
Oprime os homens
Ela de per si se atiça
E treme toda de raiva...
Esta chama
É a sagrada flama,
A vera imagem do deus Agni
No fogo sacrificial.

É a força dos oprimidos
O alento dos vencidos;
Na senda escura de milhões
De escravizados.

É o facho da revolução.
O flagelo dos tiranos
- A luz da redenção.

Luta contra furações
Destrói com as suas labaredas
Tudo quanto é ruim, impuro, vil
É a chama que espanca as trevas
E alumia as veredas
Na cerração da noite,
Povoada de mil perigos.

Esta chama é a esperança
Da humanidade
É uma lição a sua perpetuidade
Sempre a arder,
Sempre a servir,
Ela guarda a paz do mundo.

É a chama do esforço humano
Capaz de vencer mesmo a morte...
Chama que alumiará
Os séculos por vir
Até ao final devir.

Ela já percorreu
Muitas terras,
Em muitos corações
Ardeu,
Hoje ilumina o Mandovi,
Que nela se consuma
Quanto de vil, impuro, ruim
Possa existir em mim
Que cada momento da minha vida
Seja um momento de fogo.
Um momento de luz
Uma faúlha da Jawahar Jyoti.

Translated by Correia Afonso

Thursday, 5 April 2012

RV Pandit - Uma Faísca Só (n.d.)

A lâmpada
Está
Cheia de azeite...

O pavio
Imerso no azeite...

Está
Tudo pronto
Para receber a luz.

Mas...

Entre o azeite 
E o pavio
Falta a faísca
Que os há de incendiar
Escuridão em toda a parte

Assim
Entre o corpo social
E o pavio do seu coração
Para humanizar a sociedade
Falta só uma faísca
Sem ela...
Nunca haverá luz!

Traduzidos do original concani por Mucunda Quelecar.

RV Pandit - Ó Meu Rico Amigo (n.d.)

O meu corpo
É despido
De roupas…

E
São farrapos
As poucas roupas
Que visto.

Não me despreze,
Por isso,
Pela pobreza
Das minhas roupas.

O sol me veste
Com tecido de oiro...
E a Lua
Com tecidos de seda
Cor de pérola...

De cobrir o corpo
Dia e noite
Com tais tecidos
Deus me deu
A grande fortuna!

Deus ma deu
E só a mim,
Não se esqueça.

Traduzido do original concani por Mucunda Quelecar

Wednesday, 15 February 2012

Manohar Sardessai - Não Chores, Flor Mimosa (1964)

Não chores, flor mimosa,
Acalma-te e não chores,
O teu amado foi colher
Estrelas floridas.
Também nós sentimos a solidão
E, no peito, da dor a opressão,
E, como meninos desamparados,
O buscamos por todos os lados,
A sua força era
O teu e meu vigor.
Não chores, flor querida,
Serena-te, não chores.
Também o nosso coração
A ele o havíamos consagrado.
Também nos punge hoje
O espinho do amargor.
Antes que tuas pétalas murcham,
Enxuga as lágrimas, sossega,
Não chores, flor mimosa
Acalma-te, não chores.
O seu sorriso luminoso
Em noite de lua cheia há-de-brilhar,
Sua cor avermelhada
Despontar na madrugada.
Sua memória perfumada
Jamais se há-de apagar.
Não chores, flor mimosa,
Acalma-te, não chores.

(tradução livre da poesia “Roddam naka fula!” de Manohar Sardessai)

Friday, 17 June 2011

BB Borkar - Isto não é liberdade (1963)

Quando o espírito anda doente
E do medo é vitima a mente,
Quando a mesma cadeia do passado
Traz o nosso futuro encadeado –
LIBERDADE? ISTO NÃO É LIBERDADE!

Quando verdadeiros demolidores
São saudados como benfeitores,
Quando à sua porta acorrem,
Pedindo benesses, homens de bem –
LIBERDADE? ISTO NÃO É LIBERDADE!

Quando indefinidos camaleões
Mudam de cor segundo as ocasiões,
E, por amor dos votos, açulam as multidões,
Excitando as mais ignóbeis paixões –
LIBERDADE? ISTO NÃO É LIBERDADE!

Quando incônscios e infiéis escritores
Envenenam a alma dos leitores,
E, deturpando habilmente a verdade,
Tornam atraente a falsidade –
LIBERDADE? ISTO NÃO É LIBERDADE!

Quando massas amorfas e escravizadas
Beijam os pés que as trazem amachucadas,
E não se pejam de entoar louvores
Para honrar e adular os seus opressores –
LIBERDADE? ISTO NÃO É LIBERDADE!

Quando os valores próprios são deprezados
E só alheios tesouros altamente estimados,
Quando refugiando-se à sombra de estranhos,
Se busca com afã o poder, o mando –
LIBERDADE? ISTO NÃO É LIBERDADE!

Quando só o deus ventre é adorado
E não passa de irrisão o trabalho sacrificado,
Quando se erige em norma não se comprometer
Para, à custa de outrem, paratisicamente viver –
LIBERDADE? ISTO NÃO É LIBERDADE!

Tuesday, 15 February 2011

Bicaji Ganecar - O Goês de Amanhã, translated by Remígio Botelho (1969)

Não tenho de andar
Por terras e mar…
Chega-me o canto
Onde eu nasci,
E é só aqui
Meu menino santo
Dirá o goês
De amanhã

Nada maior
Que o meu amor
À Goa bela…
É só nela
Que hei de achar
Minha riqueza
E só hei de cantar a sua beleza
Dirá o goês
De amanhã

Tudo o que sou
Vem do seu nome
Que me matou
A sede a a fome
Beijo-lhe a mão
Em gratidão
Dirá o goês
De amanhã

Minha língua é
Só o concanim
Que lutou com fé
E alcançou o fim
E a sua vitória
É a nossa glória
Dirá o goes
De amanhã

É tudo para mim
A Goa amada
Enquanto assim
For separada
De tudo em redor
Sou eu o senhor
Dirá o goes de amanhã

E a débil planta
d’alegria santa
Cresceu cresceu
Até o céu…
E afastando a dor
Conseguiu tranpor
O cume risonho
Do seu sonho
Dirá o goês
De amanhã

Saturday, 12 February 2011

RV Pandit - O Número Dez (translated from the Konkani by Mucunda Quelecar)

Deus,
Uma vez,
Deu números
Às coisas venenosas.

Coube
O número um
À ambição humana.
Dois à traição
E à sua malquerença.
O número três,
À intrujice,
O número quarto.
Cinco,
Ao ódio.
À inveja
Número seis.
Sete
À intriga.
À leviandade feminina
Número oito.
E nove
Á arrogância dos homens.
E, vendo
Que os primeiros
Nove números
Foram ganhos
Pela peçonha humana,
A cobra
Deseperou...
E começou
A chorar...
Porque não tinha valia
O seu veneno
Perante outros maiores...
Então Deus,
Compadecido
Marcou sobre a sua fronte
O último número
O número dez!