Em Goa
Algumas crianças
Aprendem a beber
Antes de nascer dentes.
E depois…
Quando nascem dentes de
Sizo….
Esses dentes
São de sizo alcoólico
Que trituram
A eles próprios...
Friday, 18 February 2011
Benedito Dias - Coimbra (1981)
Dedico este ramalhete de versos
Como um tesouro de recordação
Duma terra que me serviu de berço
E trago-o sempre no meu coração
Dou-me feliz por ainda estar vivo
Que seria injusto da minha parte
Se não vos falasse como é devido
Dessa ‘LUSA-ATENAS”! A UNIVERSIDADE
Cantaram-na escritores e poetas
E no estrangeiro tem grande fama,
Eu nasci na Índia – terra d’ascetas
Descoberta pelo Vasco da Gama!
Oh COIMBRA! Tu és como Criança,
Também é Juventude e Mocidade,
Adolescência, Velhice e Cidade
Acolhendo poetas na Eternidade!
Como um tesouro de recordação
Duma terra que me serviu de berço
E trago-o sempre no meu coração
Dou-me feliz por ainda estar vivo
Que seria injusto da minha parte
Se não vos falasse como é devido
Dessa ‘LUSA-ATENAS”! A UNIVERSIDADE
Cantaram-na escritores e poetas
E no estrangeiro tem grande fama,
Eu nasci na Índia – terra d’ascetas
Descoberta pelo Vasco da Gama!
Oh COIMBRA! Tu és como Criança,
Também é Juventude e Mocidade,
Adolescência, Velhice e Cidade
Acolhendo poetas na Eternidade!
Alfredo Bragança - Goa Viva, Goa Livre (1963)
Eles foram…
Abutres que vieram,
Abutres que foram,
Goa não é carcaça,
Goa não é cadáver,
Goa viva, Goa livre!
Vontade divina,
Seta de Parshuram
Que funda o Concão.
Coqueiros e arecais,
Luxuriantes e frondosos,
Várezeas e mangueirais.
Jardins edénicos,
Rios leitosos,
Praias de areia branca,
Espuma cristalina,
De Betul a Siridão,
De Colvá a Calangute,
Não as deixaremos macular
Pelas botas férreas,
Do bárbaro invasor,
Tocam tambores,
Soa clarim,
Vozes que bradam,
Vozes que ecoam
Em concani:
Amchem Goem, anchi as,
Amcho ganv, amchi bhas.
Vozes da História,
De Epopeia e Glória,
Vozes de Tempo
Vozes de Panchayts e Comunidades,
Vozes sem idades,
Vozes de Bhau Daji Lad
E Dada Vaidya
De Francisco Luís Gomes
E Dalgado
Vozes de Kosambi e Valaulicar,
De Gama Pinto
E Menezes Bragança...
Gritos de Sidnate e Chadernate,
De Dudsagor e Arvalém
De Mandovi e Zuari,
Nossos Indus e Ganges,
Vozes que gritam
Vozes que rompem:
Amchem Goem, amchi as,
Amcho ganv, amchi bhas.
Vozes que ecoam,
Vozes que reboam,
Vozes que voam
Goa é nossa,
Goa viva, Goa livre.
Rica língua,
Rico folcore,
Milhares milhares
De provérbios concanis,
Mandós e dacnis,
Dulpodas e haloios,
Zotiós e ovios.
Surgem preces imortais
Por Goa viva, Goa livre,
Preces de templos e catedrais:
Da Sé e Bom Jesus,
Shri Manguesh, Shri Naguesh,
Shri Mahalacximi, Shri Ramnath,
Preces do Pilar e Sancoale,
Por Goa viva, Goa livre.
Goa é Shanta-Durga,
Deusa de paz,
Unindo Vishnu e Shivá
Ao apelo do Bramá,
Que é a Índia-Mãe.
Santos e heróis,
Luzes e faróis,
Ranés d’antanho,
Satyagrahas tamanhos,
Aguada, Reis-Magos
E fortes vetustos,
Então revoltas em vão?
Não, mil vezes não!
Eles foram...
Outros convidam
À escuridão,
À escravidão,
Profetas falsas,
Para ‘engolir’
Nosso rincão,
Cautela irmão!
Cautela com amigos
A soldo dos vizinhos!
Avalanches dos estados inimigos.
Capa de amizada,
Hipocrisia, falsidade,
Cavalo de Tróia,
Ganância e traição.
É ‘China’ dentro da Índia,
Avançando à dianteira,
Alargando a fronteira,
Empurrando o Macmahon,
Adentro do Concão.
Cautela, filhos de Goa!
Alerta, filhos de Concão!
Alerta, filhos da Índia!
Goa não é carcaça,
Goa não é cadáver,
Goa somos nós,
Goa é nossa,
Viva Goa, livre Goa,
Goa viva, Goa livre!
Abutres que vieram,
Abutres que foram,
Goa não é carcaça,
Goa não é cadáver,
Goa viva, Goa livre!
Vontade divina,
Seta de Parshuram
Que funda o Concão.
Coqueiros e arecais,
Luxuriantes e frondosos,
Várezeas e mangueirais.
Jardins edénicos,
Rios leitosos,
Praias de areia branca,
Espuma cristalina,
De Betul a Siridão,
De Colvá a Calangute,
Não as deixaremos macular
Pelas botas férreas,
Do bárbaro invasor,
Tocam tambores,
Soa clarim,
Vozes que bradam,
Vozes que ecoam
Em concani:
Amchem Goem, anchi as,
Amcho ganv, amchi bhas.
Vozes da História,
De Epopeia e Glória,
Vozes de Tempo
Vozes de Panchayts e Comunidades,
Vozes sem idades,
Vozes de Bhau Daji Lad
E Dada Vaidya
De Francisco Luís Gomes
E Dalgado
Vozes de Kosambi e Valaulicar,
De Gama Pinto
E Menezes Bragança...
Gritos de Sidnate e Chadernate,
De Dudsagor e Arvalém
De Mandovi e Zuari,
Nossos Indus e Ganges,
Vozes que gritam
Vozes que rompem:
Amchem Goem, amchi as,
Amcho ganv, amchi bhas.
Vozes que ecoam,
Vozes que reboam,
Vozes que voam
Goa é nossa,
Goa viva, Goa livre.
Rica língua,
Rico folcore,
Milhares milhares
De provérbios concanis,
Mandós e dacnis,
Dulpodas e haloios,
Zotiós e ovios.
Surgem preces imortais
Por Goa viva, Goa livre,
Preces de templos e catedrais:
Da Sé e Bom Jesus,
Shri Manguesh, Shri Naguesh,
Shri Mahalacximi, Shri Ramnath,
Preces do Pilar e Sancoale,
Por Goa viva, Goa livre.
Goa é Shanta-Durga,
Deusa de paz,
Unindo Vishnu e Shivá
Ao apelo do Bramá,
Que é a Índia-Mãe.
Santos e heróis,
Luzes e faróis,
Ranés d’antanho,
Satyagrahas tamanhos,
Aguada, Reis-Magos
E fortes vetustos,
Então revoltas em vão?
Não, mil vezes não!
Eles foram...
Outros convidam
À escuridão,
À escravidão,
Profetas falsas,
Para ‘engolir’
Nosso rincão,
Cautela irmão!
Cautela com amigos
A soldo dos vizinhos!
Avalanches dos estados inimigos.
Capa de amizada,
Hipocrisia, falsidade,
Cavalo de Tróia,
Ganância e traição.
É ‘China’ dentro da Índia,
Avançando à dianteira,
Alargando a fronteira,
Empurrando o Macmahon,
Adentro do Concão.
Cautela, filhos de Goa!
Alerta, filhos de Concão!
Alerta, filhos da Índia!
Goa não é carcaça,
Goa não é cadáver,
Goa somos nós,
Goa é nossa,
Viva Goa, livre Goa,
Goa viva, Goa livre!
Thursday, 17 February 2011
Laxmanrao Sardessai - O Teu Maior Inimigo (1965)
Sou o infeliz dos infelizes.
Disseste-me ontem: “tenho tantos amigos…"
“Quantos? Dez?... Vinte?... Trinta?...”
“Muito Mais” tu respondeste.
Ah meu senhor! Porque criaste no mundo
Essa criatura em que abunda
Tamanha afeição para dar a todos,
Como uma fonte de água perene,
Que, enquanto, corre, cresce
E fecunda várzeas e palmeirais e arecais…
Transporte no seu seio inúmeros bateis
E ao Sollevanta, em eflúvios etéreos,
Preces que sobem aos Céus,
Os ais cânticos dos Santos
Mas esquece cruelmente...
O rochedo áspero e cálido
Que está postado no alto da margem,
Em atitude piedosa, desolada,
Semelhante a um rishi antiga,
A infligir-se torturas,
Durante séculos, meu Deus!
E tão perto dessa corrente clara...
... Cantante... terna... benfazeja...
Mas tão cruel para com o infeliz rochedo,
Exposto às intempéries da Natureza...
Durante anos... Durante séculos...
Sem merecer uma só gola dessa imensidade,
Cristalina, generosa,
Eu sou o rochedo, o teu maior inimigo.
Disseste-me ontem: “tenho tantos amigos…"
“Quantos? Dez?... Vinte?... Trinta?...”
“Muito Mais” tu respondeste.
Ah meu senhor! Porque criaste no mundo
Essa criatura em que abunda
Tamanha afeição para dar a todos,
Como uma fonte de água perene,
Que, enquanto, corre, cresce
E fecunda várzeas e palmeirais e arecais…
Transporte no seu seio inúmeros bateis
E ao Sollevanta, em eflúvios etéreos,
Preces que sobem aos Céus,
Os ais cânticos dos Santos
Mas esquece cruelmente...
O rochedo áspero e cálido
Que está postado no alto da margem,
Em atitude piedosa, desolada,
Semelhante a um rishi antiga,
A infligir-se torturas,
Durante séculos, meu Deus!
E tão perto dessa corrente clara...
... Cantante... terna... benfazeja...
Mas tão cruel para com o infeliz rochedo,
Exposto às intempéries da Natureza...
Durante anos... Durante séculos...
Sem merecer uma só gola dessa imensidade,
Cristalina, generosa,
Eu sou o rochedo, o teu maior inimigo.
Clara de Menezes - A Diva do Concão (1965)
Sempre airosa e gentil, a bailadeira
Com o seu nôt de aljôfares nacarados,
Que encima os lábios, dois rubis rosados,
Tem encantos e olhar de feiticeira
Baila e canta nos templos desta beira
Do Índico com requebros e trinados.
Para louvar Ramá com seus bailados
Traja pitambor grácil e ligeira.
Argentinas pãiznam ao famoso astro
Beijam-lhe o tornozelo de alabastro
Com paixão, singeleza, bizarria...
Do lodaçal, qual lótus, foi cativa.
Uma bela alma dá a essa diva,
Num gesto nobre, a carta de alforria.
Com o seu nôt de aljôfares nacarados,
Que encima os lábios, dois rubis rosados,
Tem encantos e olhar de feiticeira
Baila e canta nos templos desta beira
Do Índico com requebros e trinados.
Para louvar Ramá com seus bailados
Traja pitambor grácil e ligeira.
Argentinas pãiznam ao famoso astro
Beijam-lhe o tornozelo de alabastro
Com paixão, singeleza, bizarria...
Do lodaçal, qual lótus, foi cativa.
Uma bela alma dá a essa diva,
Num gesto nobre, a carta de alforria.
Wednesday, 16 February 2011
Gonês Sinai Candearparcar - C'est la vie (1960)
Estando entretido no seu jogo de xadrez, um Maharajá viu aparecer o seu criado predilecto, todo aflito, que lhe disse:
“Maharajá, estou com medo, vejo-me perseguido por três homens que me querem matar. Por favor, autorize-me a levar o cavalo mais veloz de Vossa Majestade!”
“Quem é que te ameaça? E para onde pensas fugir? Estás maluco? Enquanto eu esteja vivo... hum!”, disse o rei com desprezo, “Ninguém te fará mal”
“Majestade, vou para Bagdad, tenho lá minha família”, respondeu o criado.
“Bem, podes levar o cavalo quando quiseres!... Mas quem é que se atreve a ameaçar-te? Eu quero ver isso!...
O criado não esperou nem um segundo; quando viu que o Maharajá lhe tinha concedido a autorização correu como uma flecha. E, enquanto o Maharajá procurava descobrir os perseguidores para os castigar, já ele marchava a toda a brida a caminho de Bagdad.
O rei, porém, irritado com os malfeitores, interrompe o seu jogo, olha para fora e vendo os três homens, que procuram esconder-se, pergunta-lhes:
“Ó malditos, porque é que vocês perseguem o meu simpático criado?... Pois isso vai-lhes sair caro!”
“Desculpe-nos, Senhor Maharajá, somos agentes às ordens do Yamadeu, ministro do Deus da morte, e viemos cá saber o motivo de demora do seu criado, cujo encontro está marcado para hoje em Bagdad, daqui a meia hora! E a demora dele prejudicava o nosso serviço regular” respondeu um dos homens.
“Quê?... Não compreendo!...” gritou o Maharajá muito irritado, e puxando da pistola disparou um tiro. Mas qual não foi o seu espanto quando viu que nenhum deles tinha sucumbido ao seu tiro, mas todos três tinham desaparecido bruscamente!
Aborrecido e desconfiado o Maharajá continuou o seu jogo, porém, perdera a calma!
Daí a uma hora surgiu um homem de Bagdad trazendo-lhe a infausta notícia da morte do seu predilecto criado que por marchar com excessiva velocidade saltará do cavalo e tinha morrido da queda.
O rei mordeu os lábios e meneou a cabeça. Com um medonho suspiro manifestou que agora já estava a perceber o que os Yamadutas, agentes de Deus Yama, diziam, e murmurou: O DESTINO LEVA.
(adaptação)
“Maharajá, estou com medo, vejo-me perseguido por três homens que me querem matar. Por favor, autorize-me a levar o cavalo mais veloz de Vossa Majestade!”
“Quem é que te ameaça? E para onde pensas fugir? Estás maluco? Enquanto eu esteja vivo... hum!”, disse o rei com desprezo, “Ninguém te fará mal”
“Majestade, vou para Bagdad, tenho lá minha família”, respondeu o criado.
“Bem, podes levar o cavalo quando quiseres!... Mas quem é que se atreve a ameaçar-te? Eu quero ver isso!...
O criado não esperou nem um segundo; quando viu que o Maharajá lhe tinha concedido a autorização correu como uma flecha. E, enquanto o Maharajá procurava descobrir os perseguidores para os castigar, já ele marchava a toda a brida a caminho de Bagdad.
O rei, porém, irritado com os malfeitores, interrompe o seu jogo, olha para fora e vendo os três homens, que procuram esconder-se, pergunta-lhes:
“Ó malditos, porque é que vocês perseguem o meu simpático criado?... Pois isso vai-lhes sair caro!”
“Desculpe-nos, Senhor Maharajá, somos agentes às ordens do Yamadeu, ministro do Deus da morte, e viemos cá saber o motivo de demora do seu criado, cujo encontro está marcado para hoje em Bagdad, daqui a meia hora! E a demora dele prejudicava o nosso serviço regular” respondeu um dos homens.
“Quê?... Não compreendo!...” gritou o Maharajá muito irritado, e puxando da pistola disparou um tiro. Mas qual não foi o seu espanto quando viu que nenhum deles tinha sucumbido ao seu tiro, mas todos três tinham desaparecido bruscamente!
Aborrecido e desconfiado o Maharajá continuou o seu jogo, porém, perdera a calma!
Daí a uma hora surgiu um homem de Bagdad trazendo-lhe a infausta notícia da morte do seu predilecto criado que por marchar com excessiva velocidade saltará do cavalo e tinha morrido da queda.
O rei mordeu os lábios e meneou a cabeça. Com um medonho suspiro manifestou que agora já estava a perceber o que os Yamadutas, agentes de Deus Yama, diziam, e murmurou: O DESTINO LEVA.
(adaptação)
José Rangel - Afirmação (1980)
A cântaros, chove…
Cordas de água fustigam
A Natureza,
Encharcando
As ruas, os campos, os homens…
Um coro de recriminações
Se eleva ao céu:
O operário e o funcionário que vão
Ao trabalho;
O operário e o funcionário que vão
Ao negócio;
O advogado que tem
Uma causa a defender;
O medico que tem
Uma vítima a socorrer.
Chora o camponês de ver
A seara inundada.
Cordas de água fustigam
A Natureza,
Encharcando
As ruas, os campos, os homens…
Um coro de recriminações
Se eleva ao céu:
O operário e o funcionário que vão
Ao trabalho;
O operário e o funcionário que vão
Ao negócio;
O advogado que tem
Uma causa a defender;
O medico que tem
Uma vítima a socorrer.
Chora o camponês de ver
A seara inundada.
Mas em sua morada
Ninguém se detem;
Pois todos têm
Algo a perfazer…
Haverá perdas e danos;
Haverá revolta pelos enganos
De um Deus
Que lá dos céus
Vela pelos seres humanos.
Mas eu sinto,
Talvez por instinto,
Que a Vida e a Natureza
Retomarão o seu sorriso:
No aloirar da seara,
No reviçar do arvoredo,
No alento esperançoso
Do operário ao medico.
Porque eu creio no Homem,
Que pelo seu tino
Se torna senhor
Do seu próprio destino
E penhor
Do futuro.
Ninguém se detem;
Pois todos têm
Algo a perfazer…
Haverá perdas e danos;
Haverá revolta pelos enganos
De um Deus
Que lá dos céus
Vela pelos seres humanos.
Mas eu sinto,
Talvez por instinto,
Que a Vida e a Natureza
Retomarão o seu sorriso:
No aloirar da seara,
No reviçar do arvoredo,
No alento esperançoso
Do operário ao medico.
Porque eu creio no Homem,
Que pelo seu tino
Se torna senhor
Do seu próprio destino
E penhor
Do futuro.
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