Um curumbim, de profissão cavador tinha uma filha muito bonita. O homem tinha-se enviuvado quando a pequena era criança e agora, já crescidinha, era ela que tratava dos arranjos domésticos.
Um dia faltou o arroz para a panela. O pai recomendando à filha ir pedir m paili de arroz ao batcará, foi para o seu trabalho cotidiano.
Quando a rapariga foi à casa do batcará encontrou-se com o seu filho que gostou tanto dela e quebrando todas as leis de conveniência manifestou aos seus pais, o desejo de casar com a rapariga.
Os pais, embora magoados, tiveram que satisfazer ao rapaz nos seus desejos, porque era único filho. Mandaram chamar ao manducar para tratar do assunto.
Apareceu o homem à casa do batcará acatando a sua ordem não sabendo porém o motivo do chamamento. Conduzindo o curumbim à presença do batcará, este todo amável, oferece-lhe cadeira para se sentar, facto este que deixou confundido o pobre do manducar, pois, não era costume de os batcarás ofereceram cadeira aos manducares, ainda que fossem instruídos. Os manducares quando fossem a casa do batcará ou tinha que estar de pé ou sentar no chão.
Recusou o curumbim, atenciosamente, sentar-se na cadeira, mas o batcará tanto insistiu que ficou obrigado a sentar-se na cadeira ao lado do batcará. Então este disse-lhe do que se tratava.
Quando soube de pretensão do filho de batcará ficou passado... Ficou de dar resposta consultando à filha que, achando ser uma loucura da paixão não aceitou o pedido, porque pensou sensatamente, que passados os primeiros entusiasmos, seria desprezada pelo marido e a sua família, dada a condição social que os separava.
Desde esse dia vivia o rapaz muito triste, pegado à cama, sem comer sem beber; nem se divertir. O batcará ficou, vendo o estado do filho, irritado com a filha do curumbim, a quem quis matar, porém , custando-lhe pôr em execução um tal nefando plano fez-lhe uma proposta de difícil execução para ver se assim ao menos conseguia mudar-lhe de resolução.
Intimou-lhe fazer um cesto sem fundo e feito isto ir alem de de 7 mares, trazer 7 fiadas de coral e aparecer com cesto e fiadas no seu solar dentro de 15 dias. Não executando a ordem notificou que seria morta barbaramente.
A rapariga que era esperta e ajuizada foi ao batcará com cesto sem fundo e pediu-lhe uma tona sem fundo para sulcar os mares propostos. O batcará deu-lhe o barco requerido. Sentada nele foi pelos mares à busca de coral.
Chegada ao 7o mar pousou sobre o seu ombro um papagaio que lhe perguntou o motivo da esquisita viagem. Explicou-lhe a rapariga tudo o que se passou com ela. O papagaio, condoído da sua sorte, recomendou-lhe ir a casa dum feiticeiro que morava numa margem do rio, vestindo-se de rapaz. O homem lhe daria comida e agasalho. Usaria fiada de flores para a cabeça como coroa e observaria se elas murcham ou não. Levaria perto dum caldeirão onde está continuamente cozendo a manteiga tendo por hábito de perguntar ao hóspede se se a manteiga vaza pela fervura, deves responder que não importa que se vaze. Em seguida levar-te-á perto duma lagoa pedindo-te dar o salto ao que deves recusar. Então o feiticeiro daria um salto com toda força. Apareciam imediatamente à tona da água quantidade de fiadas de coral que a menina devia apanhar e desaparecer um instante. Não devia ela assustar se o feiticeiro perguntar à sua mãe se o hóspede lhe pareceu menina.
A menina fez à risca o que o papagaio lhe dissera. Apanhou as fiadas e deu aobatcará.
O feiticeiro, quando saiu de água, viu que o hóspede tinha desaparecido. Só então suspeitou que era menina. Metendo-se rapidamente num barco veio à sua procura. Descobriu a terra e sua casa pelo feitiço. Censurando-lhe puramente pelo seu disfarce, veio com ela para sua casa e casou-se com ela. Queira ou não queira a pobre da menina teve de fazer-lhe a vontade, mas sei que viveram muito felizes e... não sei mais do que isto.
Friday, 25 February 2011
Laxmanrao Sardessai - Nossos Heróis (1965)
Nossos Heróis
Que fizeram a revolução
E dela arrancaram
A emancipação
Não são aqueles
Que hoje vemos,
Uns atrás da riqueza,
Outros atrás do poder,
Outros ainda cevando
Ódios e paixões!
Não são aqueles
Que da plataforma elevada
Gritam e exortam
E da coragem
Fizeram arma
Para practicar
Toda a podridão!
Coragem!
Tem-na
E em abundância
Os ladrões
E os salteadores
Mas nem por isso
São heróis!
Eles pelo menos
São sinceros
E os nossos heróis
Criminosos e hipócritas!
Porque usaram
Da sua coragem
E dela fizeram
Arma decente
Para iludir a gente
Para aniquilar a gente
Gente que eram os seus irmãos!
Heróis são
Os que desconhecemos,
Os que tombaram
Nas matas e nos montes,
Sob balas inimigas
Ou nas prisões,
Esquecidos,
Ignorados,
Como cães,
Mortos na rua,
Sem haver
Quem cubra
Uma vez, por ano
As suas sepulturas
Não com rosas e dálias
Mas, com flores silvestres
Que abundam nas matas e nos montes!
Eles, pobres
Tinham coragem
E tinham em casa
Mães e filhos!
E em sua companhia
A pobreza fria!
Eles, nobres
Não quiseram
Poder e fama,
Porque eram
Ignorantes,
Inocentes,
O goês, teus heróis
Não são aqueles
Que nas cidades
Passeiam radiantes
E raro descem
Para as aldeias
Para consolarem
Mães, filhos
Daqueles jovens
Que jazem
Nos campos e montes
Nas sepulturas ermas
As vidas de flores
As vidas das lembranças
Desses heróis grandes
Que ganharam fama e gloria
À custa desses mártires pobres!
Que fizeram a revolução
E dela arrancaram
A emancipação
Não são aqueles
Que hoje vemos,
Uns atrás da riqueza,
Outros atrás do poder,
Outros ainda cevando
Ódios e paixões!
Não são aqueles
Que da plataforma elevada
Gritam e exortam
E da coragem
Fizeram arma
Para practicar
Toda a podridão!
Coragem!
Tem-na
E em abundância
Os ladrões
E os salteadores
Mas nem por isso
São heróis!
Eles pelo menos
São sinceros
E os nossos heróis
Criminosos e hipócritas!
Porque usaram
Da sua coragem
E dela fizeram
Arma decente
Para iludir a gente
Para aniquilar a gente
Gente que eram os seus irmãos!
Heróis são
Os que desconhecemos,
Os que tombaram
Nas matas e nos montes,
Sob balas inimigas
Ou nas prisões,
Esquecidos,
Ignorados,
Como cães,
Mortos na rua,
Sem haver
Quem cubra
Uma vez, por ano
As suas sepulturas
Não com rosas e dálias
Mas, com flores silvestres
Que abundam nas matas e nos montes!
Eles, pobres
Tinham coragem
E tinham em casa
Mães e filhos!
E em sua companhia
A pobreza fria!
Eles, nobres
Não quiseram
Poder e fama,
Porque eram
Ignorantes,
Inocentes,
O goês, teus heróis
Não são aqueles
Que nas cidades
Passeiam radiantes
E raro descem
Para as aldeias
Para consolarem
Mães, filhos
Daqueles jovens
Que jazem
Nos campos e montes
Nas sepulturas ermas
As vidas de flores
As vidas das lembranças
Desses heróis grandes
Que ganharam fama e gloria
À custa desses mártires pobres!
Wednesday, 23 February 2011
Augusto do Rosário Rodrigues - Nehru: Um Episódio da Sua Vida (1970)
Vertido um mar de sangue, o inglês, finalmente,
Prometeu largar a Índia em paz e boamente.
São catorze de Agosto, um dia a mais raiava.
Batera a meia-noite. A Índia trepidava...
Sonhos de glória e raiva! Euforia! Tristeza!
Um povo que traçou páginas de beleza
Vibrava como um só: tanto no Parlamento,
Como fora na rua a luz do firmamento,
E um homem austero, em passo mesurado,
Caminhou então hirto e solene ao estrado.
Era o audaz Nehru, o Primeiro Ministro!
Acabara o pavor, o regime sinistro.
Uma Índia, agora, livre ia ter finalmente
Um governo só seu, feito com sua gente,
Novecentos quarenta e sete é uma data
Desde a qual o Bharat frui liberdade lata.
Cumprido o protocolo e aposta a chancela,
Um dilúvio de luz, visão de Cinderela,
Galvanizou Delhi. As ruas, as esquinas,
Eram grandes florões de cores peregrinas.
Archotes, lampiões, como em dias de festa
Brilhavam no solar e na casa modesta.
Bandeiras e festões, mil ramos de verdura,
Charangas a tocar; fogos, doces, fartura!
Homens ao desafio choravam a cantar
E, num estranho brio, dançavam a gritar.
E, no entanto, Nehru, numa voz muito calma,
Estava a declamar com toda a sua alma
Sua fala à Nação – mensagem bem sentida,
O eco passional duma alma dolorida
Duma alma de eleição, de poeta e de santo
Que teve a sua cruz – pois ele sofreu tanto!
Um sulco de agra dor riscava-lhe a fronte
Os vultos dos seus pais e da mimosa esposa
Morrendo a abençoar a causa gloriosa!
Junto com tantos mais, mortos ante-sazão,
Espancados sem dó ou presos sem razão;
Mulheres juvenis a encher as cadeias
Só faziam lembrar gigantescas colmeias.
O Juliana – Bag – este açougue sangrento;
Marcha de Bardoli – aquele acampamento
Perto de Jamuná; os pobres camponeses
Apátridas sem lei, escárnio dos ingleses.
Os talukdares burlões – enormes, sanguessugas
Não tendo coração, duros quais tartarugas.
O vil saucar – algoz do pobre harijan,
Opróbio de Manu, expulso do bahujan –
Um cancro sem igual a roer o Bharata,
Seja ele um telegu, um cashmiri ou marata.
Havia aqui também cristãos e muçulmanos,
Budistas e parsis, há mais um milhar de anos;
Questões de águas do mar e questões dos caminhos;
O poder de Jiná, e receio dos vizinhos...
Uma Índia bipartida ele já antolhava.
Ter sido o mal fatal, um mal que bradava,
Tudo isto e muito mais, nesse dia bendito,
Passou qual raio veloz na mente do Pandito,
Que cimentou com fé, sangue e inteligência,
O último degrau da áurea independência.
Prometeu largar a Índia em paz e boamente.
São catorze de Agosto, um dia a mais raiava.
Batera a meia-noite. A Índia trepidava...
Sonhos de glória e raiva! Euforia! Tristeza!
Um povo que traçou páginas de beleza
Vibrava como um só: tanto no Parlamento,
Como fora na rua a luz do firmamento,
E um homem austero, em passo mesurado,
Caminhou então hirto e solene ao estrado.
Era o audaz Nehru, o Primeiro Ministro!
Acabara o pavor, o regime sinistro.
Uma Índia, agora, livre ia ter finalmente
Um governo só seu, feito com sua gente,
Novecentos quarenta e sete é uma data
Desde a qual o Bharat frui liberdade lata.
Cumprido o protocolo e aposta a chancela,
Um dilúvio de luz, visão de Cinderela,
Galvanizou Delhi. As ruas, as esquinas,
Eram grandes florões de cores peregrinas.
Archotes, lampiões, como em dias de festa
Brilhavam no solar e na casa modesta.
Bandeiras e festões, mil ramos de verdura,
Charangas a tocar; fogos, doces, fartura!
Homens ao desafio choravam a cantar
E, num estranho brio, dançavam a gritar.
E, no entanto, Nehru, numa voz muito calma,
Estava a declamar com toda a sua alma
Sua fala à Nação – mensagem bem sentida,
O eco passional duma alma dolorida
Duma alma de eleição, de poeta e de santo
Que teve a sua cruz – pois ele sofreu tanto!
Um sulco de agra dor riscava-lhe a fronte
Os vultos dos seus pais e da mimosa esposa
Morrendo a abençoar a causa gloriosa!
Junto com tantos mais, mortos ante-sazão,
Espancados sem dó ou presos sem razão;
Mulheres juvenis a encher as cadeias
Só faziam lembrar gigantescas colmeias.
O Juliana – Bag – este açougue sangrento;
Marcha de Bardoli – aquele acampamento
Perto de Jamuná; os pobres camponeses
Apátridas sem lei, escárnio dos ingleses.
Os talukdares burlões – enormes, sanguessugas
Não tendo coração, duros quais tartarugas.
O vil saucar – algoz do pobre harijan,
Opróbio de Manu, expulso do bahujan –
Um cancro sem igual a roer o Bharata,
Seja ele um telegu, um cashmiri ou marata.
Havia aqui também cristãos e muçulmanos,
Budistas e parsis, há mais um milhar de anos;
Questões de águas do mar e questões dos caminhos;
O poder de Jiná, e receio dos vizinhos...
Uma Índia bipartida ele já antolhava.
Ter sido o mal fatal, um mal que bradava,
Tudo isto e muito mais, nesse dia bendito,
Passou qual raio veloz na mente do Pandito,
Que cimentou com fé, sangue e inteligência,
O último degrau da áurea independência.
Tuesday, 22 February 2011
Laxmanrao Sardessai - O Nosso Crime (1965)
A inércia é um crime
Quando o perigo está perto
E esse crime se torna horrendo
Quando o perigo ameaça
Não a existência nossa
Mas a dignidade das gerações futuras!
Nós que somos pais
Ou avós dos novos
Procedemos como néscios
Conversamos nos balcões
Ou nas alcovas
Horas e horas
Sobre Maharashtrawadi e a integração.
Com todas as veras da alma
Gritamos, berramos
Gesticulamos, suspiramos
Nada de positivo
Conforto abraçamos
Único alvo da nossa vida
Se somos chefes políticos
Quando entrevistamos
Shashtri ou Kamaraj
É nosso empenho
Sermos com eles fotografados
E termina a nossa missão
Gastamos milhares de rupias
Em comícios magnos
E ali falamos do povo
Que desconhecemos
E até aborrecemos
A sua importância sentimos
Só quando batem à porta as eleições
Que nos prometem o poder
E choramos a sorte do povo
Que não amamos quando
Um dia, ele nós dá pontapé!
Para nós, a medida do povo
E das eleições é o palmo
Da nossa barriga
E tudo a ela respeitante
Assim temos sido, assim somos
Os que pertencemos
As gerações velhas
Se nesse andar vamos
Um dia, as bocas das urnas
Proclamarão “integração!”
Quando o perigo está perto
E esse crime se torna horrendo
Quando o perigo ameaça
Não a existência nossa
Mas a dignidade das gerações futuras!
Nós que somos pais
Ou avós dos novos
Procedemos como néscios
Conversamos nos balcões
Ou nas alcovas
Horas e horas
Sobre Maharashtrawadi e a integração.
Com todas as veras da alma
Gritamos, berramos
Gesticulamos, suspiramos
Nada de positivo
Conforto abraçamos
Único alvo da nossa vida
Se somos chefes políticos
Quando entrevistamos
Shashtri ou Kamaraj
É nosso empenho
Sermos com eles fotografados
E termina a nossa missão
Gastamos milhares de rupias
Em comícios magnos
E ali falamos do povo
Que desconhecemos
E até aborrecemos
A sua importância sentimos
Só quando batem à porta as eleições
Que nos prometem o poder
E choramos a sorte do povo
Que não amamos quando
Um dia, ele nós dá pontapé!
Para nós, a medida do povo
E das eleições é o palmo
Da nossa barriga
E tudo a ela respeitante
Assim temos sido, assim somos
Os que pertencemos
As gerações velhas
Se nesse andar vamos
Um dia, as bocas das urnas
Proclamarão “integração!”
Monday, 21 February 2011
Bailon de Sá - Manhã de Setembro (à E.) (1978)
É manhã esplendorosa
De Setembro, quando a rosa
E a suganda voluptuosa
Irradiam seu olor
Em nuvens febricitantes;
E as canas tam intrigantes
De cores estonteantes
Segredam árias de Amor
Quando o bulbul em gorjeio
Líquido, trila de enleio;
E o moruonim, no permeio,
Em perfeito abandon,
Desaperta seu trinado;
E o pinheiro, alto, enlevado
De pingos de água enfeitado,
Tem arco-irisado tom.
E o verde-loiro arrozal
Balbucia um madrigal
Ao beijo almo e virginal
Da brisa suave e cantante:
E o monte à beira do rio
Sacode seu ar sombrio,
Seu olhar místico e frio,
E arde num riso exultante.
No seu leito de sofisma,
O Homem, silencioso cisma –
Como por um novo prisma
O caos do pensamento,
Dos crimes a natureza
E do coração a frieza,
Entrevado por tibieza
- por um rútilo movimento.
Enfim toda a Natureza,
Irremediavelmente presa
Pela dúvida e incerteza
Desata-se neste dia;
E por um mistério suave,
Qual um secreto conclave,
Unifica-se sem entrave,
Em doce e santa alegria.
- Que bendito dia !
- Que santa harmonia!
Foi numa destas manhãs
De Setembro – harmoniosa –
De tempos velhos de cãs,
Manhã clara e luminosa,
Que, decerto, veio à luz
Neste grão feliz de areia,
Tendo por brasão a Cruz,
A Miriam da Judeia!
De Setembro, quando a rosa
E a suganda voluptuosa
Irradiam seu olor
Em nuvens febricitantes;
E as canas tam intrigantes
De cores estonteantes
Segredam árias de Amor
Quando o bulbul em gorjeio
Líquido, trila de enleio;
E o moruonim, no permeio,
Em perfeito abandon,
Desaperta seu trinado;
E o pinheiro, alto, enlevado
De pingos de água enfeitado,
Tem arco-irisado tom.
E o verde-loiro arrozal
Balbucia um madrigal
Ao beijo almo e virginal
Da brisa suave e cantante:
E o monte à beira do rio
Sacode seu ar sombrio,
Seu olhar místico e frio,
E arde num riso exultante.
No seu leito de sofisma,
O Homem, silencioso cisma –
Como por um novo prisma
O caos do pensamento,
Dos crimes a natureza
E do coração a frieza,
Entrevado por tibieza
- por um rútilo movimento.
Enfim toda a Natureza,
Irremediavelmente presa
Pela dúvida e incerteza
Desata-se neste dia;
E por um mistério suave,
Qual um secreto conclave,
Unifica-se sem entrave,
Em doce e santa alegria.
- Que bendito dia !
- Que santa harmonia!
Foi numa destas manhãs
De Setembro – harmoniosa –
De tempos velhos de cãs,
Manhã clara e luminosa,
Que, decerto, veio à luz
Neste grão feliz de areia,
Tendo por brasão a Cruz,
A Miriam da Judeia!
Friday, 18 February 2011
Telo de Mascarenhas - As Sementeiras (1971)
As chuvas vieram
Os homens e os bois
Jungidos ao tosco arado,
Abrem sulcos na terra
Ensopada e clemente,
Rara em seguida
Lançar a semente,
Com gestos sacudidos.
Os gritos de incitamento:
“Arre! Hoi! Hoi!”,
Ao boi pachorrento,
Lembram as apostrofes
Dos carreiros,
Alegres e chocarreiros,
Do “carrinho de barro”,
Do Rei Shudraka.
Os pobres “royts”
Com seus métodos rotineiros
E sem vanglória,
São legítimos herdeiros
Do Rei Jánaka,
Rei Lavrador
Da Nossa História.
Quando as sementes grelaram
E a terra reverdecer
Como uma alcatifa de veludo,
E as loiras messes ondularem
Com uma bênção da Fortuna
Sobre a terra de dor
Onde a fome abunda
Florirá a esperança
Duma vida melhor.
Os homens e os bois
Jungidos ao tosco arado,
Abrem sulcos na terra
Ensopada e clemente,
Rara em seguida
Lançar a semente,
Com gestos sacudidos.
Os gritos de incitamento:
“Arre! Hoi! Hoi!”,
Ao boi pachorrento,
Lembram as apostrofes
Dos carreiros,
Alegres e chocarreiros,
Do “carrinho de barro”,
Do Rei Shudraka.
Os pobres “royts”
Com seus métodos rotineiros
E sem vanglória,
São legítimos herdeiros
Do Rei Jánaka,
Rei Lavrador
Da Nossa História.
Quando as sementes grelaram
E a terra reverdecer
Como uma alcatifa de veludo,
E as loiras messes ondularem
Com uma bênção da Fortuna
Sobre a terra de dor
Onde a fome abunda
Florirá a esperança
Duma vida melhor.
Cyrano Valles - Poema (1981)
Águia negra
Arrebatou de repente
A pomba parasita
Que entre corvos
Reinava anelando
Pantera feroz disfarçada
Em sentinela d’amor...
Rompeu o sol rútilo
As malignas cadeias
Das ultimas trevas.
Aclamando com jubilo
Pelos cativos livres
Enfim dum longo pesadelo,
Um sonho mau de bruxas velhas
Que ruiu sob uma chuva
De estrelas vermelhas!
Alcandorado sobre pirâmides
De craveiras e carcaças
O desvario megalomaníaco
De chacina dos inocentes
Ruiu num instante orgíaco
Co’a maré subindo.. subindo
Lenta... inexorável... fatal...
O canto das ciganas ecoando
O monótono restolhar dos fenos
E as abelhas revoltas zumbindo
Sobre a flor d’outono submergindo,
Virgem violada pelo vendaval,
Nas névoas da noite eterna.
Algas de chumbo mal ocultando
Sua nudez intima e derradeira!
Sulla spiaggia “un odor” di putredine
Dove sta la gloria...
Arrebatou de repente
A pomba parasita
Que entre corvos
Reinava anelando
Pantera feroz disfarçada
Em sentinela d’amor...
Rompeu o sol rútilo
As malignas cadeias
Das ultimas trevas.
Aclamando com jubilo
Pelos cativos livres
Enfim dum longo pesadelo,
Um sonho mau de bruxas velhas
Que ruiu sob uma chuva
De estrelas vermelhas!
Alcandorado sobre pirâmides
De craveiras e carcaças
O desvario megalomaníaco
De chacina dos inocentes
Ruiu num instante orgíaco
Co’a maré subindo.. subindo
Lenta... inexorável... fatal...
O canto das ciganas ecoando
O monótono restolhar dos fenos
E as abelhas revoltas zumbindo
Sobre a flor d’outono submergindo,
Virgem violada pelo vendaval,
Nas névoas da noite eterna.
Algas de chumbo mal ocultando
Sua nudez intima e derradeira!
Sulla spiaggia “un odor” di putredine
Dove sta la gloria...
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