Friday, 9 January 2015

Bicaji Ganecar - A Barca da Minha Vida (1968)

A barca da minha vida
Sempre avança
Com a esperança
De ver a terra prometida.

Abrindo o caminho
P’lo torvelinho
Ela desliza
Com a brisa
Com o seu olhar
No porvir
Que vê sorrir
À beira do mar.

Aonde se eleva
E se torna espuma
E no céu a treva
Se avoluma...
O meu desejo
Se aproxima.
Mas cá em cima
Só pedras vejo.

Serviu o país
Com o seu suor
Foi tudo feliz
Com o seu amor...
A todos amou
Com paixão
E rubra ficou
Com o chão.

Traduzido do original em concanim por Remígio Botelho.

Tuesday, 6 January 2015

Laxmanrao Sardessai - A Arequeira (1965)

Franzina e bela
És da aldeia a pérola!
Pareces uma virgem
Pura e graciosa
Mas também ansiosa
Por oferecer ao teu adorado
A tua alma amorosa
Pareces uma juvem,
Clara e sorridente
Que encerra no seu seio
O tesouro de emoções!
Aos teus pés, salta a fonte
E gauddi inocente
De carícias te cerca
E cresces em encantos.
E moves em cadência
O teu corpo gentil e belo,
À brisa ligeira
Que sopra na véspera
A quatro passos está
Erecto e firme e sereno
O teu amado, o coqueirom
E mira contente os teus meneios,
Languidos e eloquentes
E os fluidos imponderáveis
Que saem do seu seio
Envolvem-me, noite e dia,
E dão-lhe vigor e vida!
E ele, o teu amado,
Está ali tão perto
Firme e sereno,
Alto e forte,
A mirar e admirar
A tua beleza!
Mas, quase sempre
Frio e imóvel,
Como uma coluna!
E tu, inquieta e nervosa,
Em vista da sua firme postura,
Amimada pelo sopro do vento,
Em um gesto forte
Procuras abordá-lo,
Tocá-lo com as tuas folhasm
Comunicar-lhe o teu amor,
E então ondulas sacudida,
Pela paixão intensa,
Num contínuo vai-vem,
Até que, num esforço supremo,
Roça o teu corpo franzino e belo,
Pelo seu corpo forte e vigoroso,
E, em um instante,
O beijas em um frenesi,
Suspirando, satisfeita!

Monday, 5 January 2015

Carmo Azavedo - Lokmanya Tilak (1977)

Bal Gangadhar Tilak nasceu numa família ortodoxa de brâmanes chitpavanes, vulgarmente conhecidos por Konkanastas, por serem oriundos do Concão, em Ratnagiri, em 23 de Julo de 1850. Os seus avoengos eram Khots, que passavam aos olhos do povo como pequenos proprietários, mas eram realmente cobradores de impostos sobre propriedades em nome de um soberano. O seu bisavô, Kashvarao, que era um bom cavaleiro, atiradore e nadador, ocupou um alto cargo no governo dos Peshawas, o qual, porém, deixou quando os ingleses tomaram conta da administração. O seu avô, Ramachandrapant, homem talentoso e versado nas Escrituras Sagradas, teria acabado os dias como sanyasi na cidade santa de Benares, a Roma do Hinduismo.

Com os Tilaks reduzidos pelas vicissitudes da fortuna à condição da burguesia, seu pai, Gangadhar, era um modesto professor primário em Ratnagiri quando Bal nasceu. Mas, erudito sanscritologo que se tornou amigo do famoso orientalista Ramakrishna Bandarkar, Gangadhar veio a ocupar finalmente o posto de inspector assistente das escolas primárias em Poona, onde pôde educar melhor o seu filho, que obteve sucessivamente os graus de bacharel em Letras (Matematícas e Sânscrito) em 1876 e em Direito em 1879, distinguindo-se em toda a sua carreira académica como estudante excepcionalmente inteligente, aplicado e disciplinado e revelando desde logo apreciáveis qualidades de independência de carácter, respeito pela verdade e oposição a qualquer forma de injustiça.

Concluídas as formaturas em Letras e Direito, foi de facto devido ao seu espírito de independência que Bal Gangadhar Tilak recusou o oferecimento pelo Governo de cargos altamente remunerativos para se dedicar de corpo e alma à causa da educação e da criação de uma consciência nacional no povo. Com este objectivo fundou primeiro a New English School de Poona e posteriormente a Deccan Education Society e o Ferguson College. Mas, devido a divergências de opinião, afastou-se bem cedo daqueles três para tomar inteira conta de dois periódicos, Maratha em inglês e Kesari em marata, dundados por sócios daquela instituição educativa, tornando-se desde então um jornalista militante com a sua pena vigorosa posta ao serviço da causa nacionalista.

Acusado pelas autoridades britânicas, que o não viam com bons olhos por causa da sua actividade jornalística de cumplicidade no assassinato do collector Rand em Junho de 1897, Tilak foi arrastado à barra do tribunal por sedição, julgado e condenado à pena de prisão maior celular pelo período de dezoito meses. Graças, porém, à então rainha-imperatriz Vitória por Max Mueller, o ilustre orientalista e amigo da Índia anglo-alemão, WW Hunter, um liberal vitoriano inglês, e os patriotas indianos Dadabhai Naoroji e RC Dutt e em parte também para aplacar o descontentamento que lavrava no país, foi posto em liberdade depois de cumprida a pena po um ano, isto é seis meses antes de expirar o período da sentença.

Com as suas ideias extremistas em política, Tilak entrou em conflito, pela primeira vez, com os moderados chefiados por Gopal Krishna Gokhale no Congresso de Calcuttta em 1896, quando declarou solenemente que “o vosso futuro está nas vossas mãos” condenando a atitude de tudo esperar do Governo britânico e recomendando que se pusesse ênfase na educação nacional e no swadeshi. Mas foi só após a partilha de Bengala, no Congresso de Surrate, no ano imediato, que o cisma entre os moderados e os extremistas, estes centrados à volta do Partido Revolucionário de Bengala, liderado por Aurobindo Ghosh, o futuro chefe religioso do ashram de Pondicherry, se tornou completo. Snao desta data os dois celebres artigos do fogoso Tilak no Kesari, “The Country’s Misfortune” e “These Remedies Are Not Lasting”.

Novamente processado por se revelar, com os seus escritos, desafecto à Coroa britânica, Tilak foi, a despeito da brilhante defesa pelo abalizado causídico de Bombaim, Joseph Batista, mais conhecido como Kaka (tio) Batista, condenado a seis anos de degredo na Birmânia, onde ficou encarcerado na cadeia de Mandalay até ser posto em liberdade, regressando à Índia, em 1914. Foi na prisão ali que, absorvendo-se na leitura da Bíblia e nas obras de Hegel, Kant, Spencer, Stuart Mill, Bentham, Voltaire e Rousseau, o político se fez pensador e escreveu o seu comentário ao Bhagawat Geeta Rahasya, ou “significado secreto” daquele cântico da epopeia nacional., Mahabharata, dando-lhe uma interpretração nova, inteiramente diferente dos comentadores anteriores.

Neste seu famoso comentário do Bhagwat Geeta, Tilak provou que a ideia fulcral desse “Cântico da Bem-Aventurança” é Karma Yoga, afirmando que “ninguém pode contar com a protecção da Providência se se senar com as mãos postas e alijar o seu fardo sobre outros” e que “Deus não ajuda os inactivos, os apáticos” e dirigindo um apelo vibrante à acção. O revolucionário virado filósofo, com a sua interpretação activista do Bhagwat Geeta, formulou assim uma filosofia revolucionária, uma filosofia de acção e nao uma filosofia de renúncia, como queria Shankara.

Regressado do desterro na Birmania, Tilak lançou-se na campanha pelo Home Rule, que tinha sido iniciada pouco antes por Annie Besant e, dois anos depois, tornou ao Congresso, que havia deixado por causa das suas desinteligências com os moderados. Após o Congresso de Lucknow, desencadeou por todo o país uma campanha vigorosa pelo Home Rule, que levou até a Inglaterra quando lá foi intentar acção por difamação contra Sir Valentine Chirol pelo seu livro intitulado Indian Unrest, causa que perdeu, mas não sem granjear o apoio de algumas das figuras mais representáveis daquele país, como o jornalista e escritor Edgar Wallace, o dirigente socialista George Landbury e, acima de todos, o chefe do Partido Trabalhista, Ramsay Macdonald, que desde então fez da causa indiana um dos pontos principais das suas campanhas eleitorais.

Foi no congresso de Lahore que Tilak proclamou Sampurna Swaraj, ou seja, independência completa como o objectivo final daquela organização política, declarando perentória e enfaticamente: “Swaraj é para mim um direito de nascença e eu alcançá-lo-ei”. De facto, muito antes de Mahatma Gandhi, ao contrário do que geralmente se supõe, foi Tilak quem converteu o Congresso, essa instituição lealista fundada por Octávio Allan Hume, um liberal victoriano, numa organização política militante anti-britânica, ao mesmo tempo que transformou uma plataforma elitista limitada à classe intelectual educada à inglesa num movimento verdadeiramente popular extensivo às massas analfabetas.

Como conseguiu Tilak, criar uma consciência política no povo, mas massas? Muito simplesmente. Principalmente, convertendo uma comemoração cívica, o Shivaji Jayanti, aniversário do grando herói marata e uma festividade religiosa, o Ganapati puja, em manifestações de carácter popular. Mais do que o culto de Shakti na Bengala, o de Ganexa serviu a Tilak à maravilha para o fim em vista por se tratar do deus “removedor dos obstáculos”, Vigneshwar, sendo o maior obstáculo de todos o jugo colonial britânico, e o primeiro a ser removido a todo custo. Tilak conseguiu o seu desiderato remodelando o tradicional festival religioso anual, substituindo a celebração privada nos lares pela entronização de uma imagem comum, sarvajanik, numa praça pública, aproximando deste modo brâmanes e não-bramanes e, enfim, fazendo dos deus Vigneshwar o símbolo de um movimento de protesto.

Tem-se dito por vezes, por um conhecimento superficial da sua complexa personalidade, que Tilak, radical, extremista, politicamente, era conservador, até reaccionário, em matéria social, como se veria da sua oposição ao Age of Consent Bill para a abolição dos casamentos entre crianças na comunidade hindu ou às medidas profilaticas tomadas pelo Governo de Bombaim por ocasião de peste bubónica. É mister, porém, considerar que Tilak não se opunha em princípio a uma legislação social progressiva nem a providências sanitárias, como as acima mencionadas, mas apenas negava a um potência estrangeira o direito de reformar os usos e costumes indianos ou de adoptar medidas higiénicos ou outras que iam bulir com os sentimentos religiosos do povo. A sua aceitação equivaleria para ele a uma renúncia abjecta ao direito que cada um tem de moldar o seu próprio destino.

Tilak não foi apenas um político, foi também um sábio, um erudito, que deixou obras de alto valor, com “Orion ou pesquisas sobre a antiguidade dos Vedas, em que, preferindo os dados astronómicos aos filológicos, provou remontar a 3000 anos AC, a composição dos Vedas e “The Attic Home of the Vedas”, em que, valendo-se também de argumentos geológicos, mostrou serem os Árias originários das regiões árticas da Ásia, duas obras, para não falar de outros trabalhos de menor tomo publicados em revistas de especialidades, que o consagraram definitivamente como erudito arqueólogo.

Estabelecido um paralelo entre Lokamanya Tilak e Mahatma Gandhi, escreveu Romain Rolland, na sua biografia deste: ‘Homem de uma rara energia, unindo num feixe de ferro a tríplice grandeza da inteligência, da vontade e do carácter, um cérebro mais vasto que Gandhi, mais solidadmente enriquecido da velha cultura asiática, sábio, matemático erudito, tendo sacrificado todas as exigências do seu gênio ao serviço da pátria e despido, como Gandhi, de toda a ambição pessoal, não esperando senão a vitória da sua causa para se retirar de cena para retomar o seu labor científico. Foi, enquanto viveu, o chefe incontestado da Índia. O que teria sucedido se uma morte prematura o não tivesse arrebatado em 1920? Gandhi, que se inclinava diante da soberania do seu gênio, diferia profundamente dele quanto ao método político e não teria, se Tilak vivesse, conservado senão a direção de certo modo espiritual do movimento. O que seria o levantar dos povos da Índia sob este duplo comando! Nada lhe teria podido resistir porque Tilak possuía o controlo da ação como Gandhi o das forças interiores. A sorte decidiu de outro modo e foi de lamentar para a Índia e para o próprio Gandhi. O papel de chefe da minoria, de elite moral teria correspondido melhorà sua natureza e aos seus íntimos desejos. Gandhi teria deixado de bom grado a Tilak a direção da maioria. Gandhi nunca teve fé na maioria. Essa fé, tinha-a Tilak. Este matemático de ação acreditava no número. Era um democrata nato. Era também absolutamente um político, sem se prender com as exigências da religião. Dizia que a política não é para sadhus. Este sábio teria sacrificado mesmo a verdade à liberdade. E esse homem integro, cuja vida foi de uma pureza imaculada, não hesitava em dizer que tudo é justo em política. O pensamento de Gandhi neste ponto é irredutível. Em face de Tilak, Gandhi proclama que obrigado a escolher sacrificaria a liberdade a verdade.

Sunday, 14 December 2014

Leopoldo Garcez Menezes - Jardim de Allah (1952)

No lindo jardim de Allah
De mil noites e de fadas,
Dançam moiras encantadas
Sob um luar e opala.

Os seus olhos são punhais
Através do lindo véu,
E os seus corpos sensuais
São das huris lá do céu.

Vem comigo, meu amor,
Que m’estás a enfeitiçar,
A acalma-me esta dor
Com a luz do teu olhar.

Paraiso oriental
Que encanta e enebria,
Jardim de luz e magia
Como não há outro igual.

Deixou-me extasiado
Nem sei minh’alma que sente,
Quero viver ao teu lado
No jardim eternamente.

No teu regaço, ó flor,
Peço-te p’ra m’embalar,
Que este meu sonho de amor
Só contigo há-de findar.

Eduardo Monteiro - O Velho Mar (1961)

... O Mar vinha cansado e bramia...
Enrolada num calmo entardecer,
A praia ouvia-lhe os gemidos amodorrados
Num suave estremecer de colorações de anil...
Escutava, serena, os ralhos de um pai já velho,
Que a roda dos tempos tornara rabujento,
Num gesto condescendente de filha submissa.
Eram os soluços de sempre!

... A lassidão de um monstro que, enganado correu mundo.
Soçobrou embarcações e náufragos,
Enraivecido flagelou rochedos
E arrancou do seio escaldante dos desertos
Maldições terríveis e segredos;
A confissão sincera de um penitente
Que, manso, vai pedir durante a noite
O perdão álgido de remotas areias e paragens;

A alegria infantil, a ingenuidade
De um colosso poderoso
Que brincava com as árvores da beira-mar
E as arrancava
Julgando inocente o seu brincar;

Em suma, o grito de revolta de um ser ludibriado
Que, depois de correr todo o mundo, cai em si,
E encontra corpo seu onde tinha começado...

... É noite alta. A praia escuta. Os búzios repetem,
Fiéis trombetas à ordem do Mar. Só as palmeiras vizinhas,
De cabeleira desgrenhada, parecem discordar,
As suas palmas dançando na aragem
Assobiam mansinho, numa pateada surda,

Os feitos do Velho Mar!

Walfrido Antão - De Mobor a Agonda (Canácona) ou Desenvolvimento, Para Quem? (1982)

“O problema hoje não é de ECOLOGIA ou de extração da AREIA das praias de MOBOR, mas o de Desenvolvimento, para quem? E à custa de quem? 200 famílias, milhares de pescadores e lavradores de palmeiras não vão gozar de um hotel de cinco estrelas com piscinas e aeródromos...

Mas não sei, às vezes é tão difícil escolher numa situação existencial: seria melhor a excavação na Praia para levar a AREIA ou um hotel?”

Era uma noite magoada de 76 ou 77. Vieram contar-me a mãe proletária de Francisco Rodrigues, o grande idealista pioneiro dos movimentos ecológicos em Goa, havia sido presa em Margão porque mãe e filho lutavam contra a excavação da areia em Mobor. Ao longo dos anos, desde Cavelossim a Utordá, fizeram greves de fome, comícios, até arrancamos promessas ao Congresso em 77 e 80 que lutariam para acabar com a Extracção da Areia. Na década dos 0, como as lembranças acorrem ao calor do reencontro com a terra alienada em Sancoale, o Arquitecto Urbano Lobo e Mathany Saldanha levantavam o problema da mortandade de peixe em Velsão devido aos efluentes do Reservatório Bhiase e o exczema das crianças. Outra década, outro ânimo de luta, porém, o mesmo idealismo frente aos salafrários Relações públicas, como diria Jorge Amado.

As notícias vêm filtradas em rumores. De Agonda em Canacona falam os peixes e as praias, um Hotel de cinco estrelas, quem sabe um casino, um aeródromo, loucas recepcionistas-secretárias para todo o serviço, como exige um projecto de tão grande valor. Mas esse desenvolvimento da região extrema do Sul de Goa, a quem vai favorecer? Certamente, os pescadores e os lavradores de palmeira não poderão frequentar ambiente de tanto luxo, nem necessitam tal luxo na carestia em que vivem, aliás todos os goeses. Mas dirão os tais salafrários: a terra tem de ser desenvolvida e entre as opções de uma Hidroelectrica, uma estação nuclear, minas de areia e um Hotel, o Hotel salvará a ecologia da região e será um benefício a longo prazo. Um outro argumento aduzido é o de que a lavra de palmeira não é uma industria e os filhos dos lavradores com a democratização do ensino acham muito mais proveitoso ir ao Golfo como mecânicos contabilistas, etc do que subir a descer a palmeira duas vezes ao dia e usar um alambique antigo com a lenha tão cara.

Profissões tradicionais, herdadas dos pais a filhos quase sempre na mesma família às de Ramponkares e lavradores de palmeira à sura, a dúvida que se impõe nesta época febril de desenvolvimento é a da continuação destas profissões frente a mecanização dos barcos de pesca, portos piscatórios, armazéns-frigoríficos nas praias e fábricas de aguardentes regionais como o Feni e o Caju. São dúvidas dolorosas e angustiantes para quem pensa o decorrer do processo de desenvolvimento com súbitas notificações na Gazeta Oficial expropriando terrenos e teimosamente recusa-se a aceitar que daqui a cinco ou dez anos os goeses serão como os East Indians (os tais norteiros) de Bombaim. Neste contexto de conta-corrente do desenvolvimento vale a pena lembrar o sistema de Prioridades e lamentar na ausência de um Plano sistemático organizado por uma equipe de especialistas e de um Governo capaz (na voz do líder da oposição, Adv. Ramakant Khalap, temos um Governo que abdicou dos seus poderes perante o Administrador deste Território), toda a espécie de salafrários tipo Relações Públicas pode levar avante quaisquer projectos desde que esteja pronto a pagar comissões e tenha contactos... no topo da pirâmide dos poder.

Nestas condições, urge aos homens de liderança e quantos são ouvidos e amados pelas massas, desde Morgim até Agonda (ambas aldeias de pescadores) decidir se para além do negativismo da agitação pura e simples e dentro dos parâmetros do amor à Terra – defesa das profissões tradicionais e do habitat – tradição e progresso para salvar a ecologia – mudança e desenvolvimento, há possibilidades de aceitar o menor mal como é o caso de um hotel versus uma fábrica de, por exemplo, ácido sulfúrico, desde que esse mal menor trate de reabilitar quantos vão perder o lar, o tecto e o habitat. No caso de Mobor, como me explicou o ex MLA e distinto advogado Ferdino Rebelo, o que se objecta é a extensão da área expropriada – 15 laques de metros quadrados e não o projecto que tem as suas vantagens. E naturalmente há que defender o aspecto humano das famílias de Mobor – 135 famílias que vão ficar sem texto e outros tantos lavradores de palmeiras. Em Agonda também, o homem tem de ser defendido.

A terra e o homem e que se não repita o crime de Sancoale, onde o camarão desapareceu para todo o sempre e o Arsénico e o Ácido sulfúrico são os ingredientes da fauna marítima... Que haja flexibilidade e tolerância e em nome do Desenvolvimento, salafrários das relações públicas não acabem com as nossas profissões tradicionais e o direito ao habitat. Que Goa continue.

Thursday, 11 December 2014

Laxmanrao Sardessai - O Socialista (1965)

Proclamas incessante o teu socialism –
Que para ti não é mais que uma arma
Para angariar votos dos parvos e lorpas
Cuja ignorância o astuto brâmane
Explorou durante séculos
Em seu proveito.
Mas tu és mais astuto que o brâmane.
O brâmane ignorava então o socialismo
Que tu sabes utilizar ardilosamente
E misturando-o com a democracia
Logra produzir uma alquimia
Que o brâmane astuto poude imaginar nunca
Ele explorava sim, mas dezenas.
Tu exploras milhares de operários,
Que suam ou tiritam para acumularem
Montes de minério de que tu, sentado
No palácio recebes laques em ouro!
Eles pobres vivem ainda em cabanas
E merecem tratos de galés!
Só os teus lábios proferem o socialismo.
Mas os teus actos proclamam
Que tu és mais opulento e insaciável
Do que os antigos monarcas
Que em si viam
O povo, a nação e o mundo!