Friday, 9 December 2011

Laxmanrao Sardessai - Eu Canto Quando os Outros Choram (1965)


Eu canto quando os outros choram,
Eu canto quando vejo o infeliz,
Ainda em flor da idade,
De membros gangrenados,
De mãos e pés roídos,
Desforme e desolado,
Prostrado à borda da estrada,
Implorando  compaixão divina
E um olhar terno do transeunte
Então, eu canto e a minha canção
Envolve, num abraço estreito,
O desesperado leproso
Que chora, acordando em mim
O belo e o sublime
E vibrando as cordas da minha alma
Que reboa pelos vales e montes
Comunicando a todos os entes
A inefável dor daquele condenado!
Eu canto, quando vejo,
A infinita tortura da mãe,
Enferma e esquálida
A quem acaba de ser arrebatado
Pelo destino, o seu único filho,
Novo e forte, único esteio
Da mulher invalida.
E a minha canção, qual vento ligeiro
Sob nos ares, em todas as direcções,
Levando o bálsamo a todas as mães infelizes
Que choram a perda prematura e repentina
Dos filhos dilectos...
Eu canto, quando a cega epidemia
Ceifa as vidas, ainda em botão,
Quando o camponês, louco e desesperado,
Ergue as suas preces para o Céu
Pedindo à providência gotas de água pura
Para o seu terreno crastado
E a minha canção passa como um relâmpago
Pelos povoados e cidades
Despertando para o seu infortúnio
Os corações afortunados
E sacudindo a letargia dos insensíveis
Que acodem aos desgraçados
Com óbolos e dadivas.
Sim, eu canto, quando a miséria
Impera, reduzindo os entes humanos
A farrapos que o vento arroja
No seu redemoinho...
Eu canto, quando a maldade humana
Se empenha, encarniçada,
Em apagar a luz da alegria
Que ilumina os inocentes e os ingénuos
E, então, a minha canção troveja,
Rebomba... açoita...
Com a veemência da procela,
E, num relance de olhos,
Uma hoste poderosa,
De corações magnânimos
Emerge da escuridão
E avança, qual exército vitorioso,
Levando-lhe conforto e esperança,
E, punindo os malfeitores.
Eu canto quando os bons
E os inocentes choram,
E a minha suave canção
Enxuga-lhes as lágrimas
E os cobre duma armadura
Invulnerável
Eu canto, por que choro a dor dos que choram...
E também choro de êxtase
Quando vejo a corrente,
Pura e cristalina do Ganga
Veemente e tumultuosa aqui,
Serena e majestosa, acolá,
Mas, sempre magnânima e farta,
Fertilizando com a sua limfa criadora,
Campos e florestas,
Alimentando homens e animais
E semeando bênções?
E canto, em fim, quando vejo,
De longe, muito longe, os Himalayas,
Firmes e erectos, quais rishis,
Confundindo-se com as nuvens,
E derramando das suas neves eternas,
Correntes abençoadas, quais Buda e Cristo
Que derramaram dos seus corações
Correntes de amor
Que levaram para redenção
Almas infinitas!

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