Friday, 13 January 2012

Alfredo Bragança - Sonho Desfeito (1963)

Em grandes vagalhões de triste dor,
Arrancando, até, o enorme mar gemia;
Ao longo, majestoso o Sol morria
Numa apoteose de lânguida cor.

Nas praias, todo nós a este sol-pôr,
Quando tudo ao redor era agonia,
Brincávamos, irradiando alegria,
Como lírios difundem o seu olor.

Foi então que escreveste derepente,
Com sorriso magoado e doce pranto,
Na areia branda: eu te amo loucamente.

Mas ai! Que dor! Veio o espumoso manto,
E tudo apagou, só deixando mente
Do teu Poema cheio de doloso encanto.

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