Monday, 7 November 2011

Judit Beatriz de Souza - Dois Poemas (1953)

Judit Beatriz de Souza é uma jovem poetisa da terra goesa que se nos afigura com largos recursos poéticos.

Questão, apenas de continuar a observar a vida no que ela encerra de essencial e a estudar a sociedade no que ela tem de dinâmico e de contraditório e, sempre e cada vez mais, lendo os grandes poetas portugueses, com especial atenção talvez, para os modernos, que uma tão larga contribuição de valores humanos e estético e souberam angariar para a poesia dos nossos dias.

Judith é muito jovem mas no seu lirismo há já, por vezes, um sopro vigoroso que nos garante estarmos em presença de um temperamento poético, que se abre rico de promessas.

Ficha Biográfica

21 de idade. Natural de Pangim. Empregada nos CTT. Habilitada com o Curso do Magistério Primário.

Não tem qualquer livro publicado. Tem um de poemas pronto a entrar no prelo. Publicou versos no Heraldo, Ala, Boletim da Emissora de Goa e o poema “Gôndola de Sonho”, foi transcrito pelo Dr. Mourão Correia no livro que ele publicou: “Qual o destino da língua portuguesa na Índia?”

“Em Dó Maior”

É maio agora.
São poemas de luz as madrugadas,
O Sol ao despontar
É coral esmaltado de oiro fino.
Há sonho nas corolas perfumadas
E seiva borbulhando nas remadas
E em ti, nas tuas veias dilatadas
Há Vida e Mocidade
Toda florida de ilusões e de esperança!

Na tua idade
O coração palpita mais depressa
E cada pulsação
É um anseio, um sonho... um promessa...

Vai colher esses látegos de estrelas
Que fulgem com o brilho peregrino
Na via triunfal do teu destino!

Não temas, vai. O mundo é pequenino
E tu – tu és ainda uma criança
De alma plena de sol e confiança!

Mas... o Sol que desponta radioso
Ao fim de um dia,
Se esconde amargurado e langoroso
E a rosa que floriu de madrugada
Logo ao sol-pôr,
Perdendo a cor,
Se inclina para a terra desfolhada!
Vês? Tudo acaba, tudo passa e foge
Ao fim de um dia
E se resume apenas a um HOJE
Que é preciso viver intensamente
Num acorde vibrante em Dó Maior!
Não te demores, vai. É Maio ardente
Florindo poesia
Irradiando amor!...

Se a Vida é tua, vai já, que perdê-la
Bem pode a mão de Deus e desfazê-la
Num instante subtil do pensamento...
Vê bem que o dia de hoje é hoje só,
Faz dele um verso claro, belo e forte
Porque afinal a Vida é um momento!

“Caminhos Diferentes”

Pelos caminhos da Vida
Eu vou andando
Sem Norte,
Sem farol,
Sem um guia...
A mim própria me faço companhia
Agora que vou sozinha...
Porque houve Alguém mais forte
Que te arrancou dos meus braços
Quando,
Com as almas plenas de sol,
Caminhávamos sinhando...
Teus passos aos meus passos

E agora vou só... sozinha
- Coração sobre mágoas a boiar –
Como aquele que caminha
Porque tem de caminhar!

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