Sunday, 7 October 2012

Mucunda Quelecar - Um Acontecimento no Mundo Literário de Goa (1968)


Viram a luz da publicidade, no dia 25 do corrente mês, cinco livros de poesias do poeta goês, RV Pandit.

Exprimir em palavras o que o génio dum poeta sentiu e traduziu na sua linguagem é talvez uma das tarefas mais difíceis que há; “é preciso ser-se um Milton” diz-se. Para apreciar o poeta RV Pandit não tenho senão uma qualidade: é ser goês e amar Goa como ele.

O sr. Pandit escreveu os versos não tendo em mira a publicidade, mas simplesmente para o desabafo do seu temperamento de artista, extremamente sensível ao mundo que o rodeia. Ele acalentou durou dez anos essas manifestações que traduziam a sua alma de poeta. Acontecimentos posteriores fizeram com que o poeta achasse necessário e oportuno que os seus versos saíssem à luz da publicidade!

Os cincos livros do poeta RV Pandit marcam uma época na vida da literatura e pensamento goeses. Em si, esses livros representam uma revolução na vida goesa. O sr. RV Pandit é um goês no mais íntimo das suas fibras e quando ele fala, é Goa que fala pela sua boca.

O sr. Pandit identifica-se com tudo o que Goa possui. Não há objecto, forma ou feição que lhe tenha escapado. É admirável a sua penetração em todos os detalhes da vida goesa. Tal penetração só é possível a quem ama entranhadamente a sua terra.

O sr. Pandit é goês e é revolucionário. Os seus versos atestam o facto de que ele atravessa todas as convenções literárias e sociais para atingir a verdade latente em que se vê.

No prefácio a um dos livros “Ailem toshem gailem” (I sang as it came, Eu canto como me apraz) diz o poeta laureado Baqui Borcar: o poeta Pandit, ao contrário doutro poetas não respeita a tradição. Quando eu li os versos de Pandit fiquei perdido numa floresta mas quando avancei fiquei encantado com a majestade natural dela. Essa era a voz do aborígene goês que até hoje não tivera uma oportunidade de se exprimir.

Lembrei-me de Walt Whitman, os versos de Pandit tem um estro, uma imaginação, uma revolta, uma ironia e uma tendência marcada para o sublime”.

Uma característica desse poeta é o seu anseio pela justiça social e o seu humanitarismo.

Outro livro seu aparece sob o título “Mogem Utor Gaudiachem (A Mminha fala dum Gaudó). O autor está tão identificado com a vida dum gaudó que ele exprime tudo o que essa entidade goesa representa. O gaudó é filho da terra, a sua base de sustenção.

Mas a sociedade não o considera, e todavia ele é imortal e passa por todas as vicissitudes sociais sem se alterar.

Sou um gaúdo – diz o poeta. Os outros são grande gente, mas eu sou um gaudó desprezível. Mas há uma coisa em mim. Podeis esmagar-me! Mas não fico pulverizado. Sou o mesmo homem, hoje e amanhã.”

Falando dele diz outro poeta goês Dr. Manohar Sar Dessai: “RV Pandit fala a linguagem dum gaudó. Ele é o filho aborígene de Goa. Goa tem passado por vários regimes políticos, várias mudanças económicas, mas o gaudó tem-se conservado firme. Ele é a base da nossa sociedade. Tem uma vitalidade inexaurível.”

Outros três livros são: Uitalem tem rup dhartalem (Form that will remain), Dharturechem Kavan (Song of the Earth) e Chandraval (Phases of the Moon). Todos esses cinco livros representam o génio versátil e polifacetada do artista e poeta que é o sr. RV Pandit.

Eles não só assentaram um marco miliário na literatura goesa na sua língua mas quando a língua de Goa for reconhecida no mundo, haverá para a nossa terra um prémio internacional.

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