Wednesday, 22 August 2012

Maria Flávia Xavier - Recordando (1965)

Meu lenço todo branco, de cambraia,
Comprado, um dia, aos vendilhões da feira!
Lindo presente que a minha pobre aia
M’ofereceu, p’los anos, prazenteira;

Como crianças que são da minha laia,
Fui de mil precipícios caminheira;
E aquela mulher, sempre de atalaia,
Amaparou-me, só eu sei, de que maneira!

Dia dos mortos! Sinto, na minha alma, o tédio
De a não ver, a nostalgia sem remédio,
Duma dedicação, como não há igual;

E, evocando aquele tempo tão remoto,
Trago, ainda, nas mãos, o lenço já roto,
Ao desfolhar rosas no seu coval!

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