Monday, 15 July 2013

Agostinho Fernandes - Quadro Vivo (1955)

Um quadro vivo que parece raro porque é... clandestino. Recém-casados. Lar ideal. Ricos e felizes. Todos comentam: uma perene lua de mel.

Ele trabalha num escritório e ri-se: lembra-se do antigo namorado da sua esposa. Era efeminado, franzino e fora despedido quando este entrar em cena. Era uma vitoria. A primeira vitória. Não era, pois, verdade o que os seus colegas disseram. Não era idiota e gebo afinal. Até a mulher gostara... e casara. Agora ela só a ele amava, a ele, o marido. Este adorava-a. Idolatrava-a.

Ainda ontem ela dissera: vou ser mãe. Que satisfação. Que júbilo! Ele? Pai?! Morria de alegra!

Voltava sempre às Ave-Marias. Eram logo beijos e abraços... um nunca mais acabar.

Naquele dia pensou voltar cedo. Uma surpresa para a esposa adorada. Presentes. Chapéus. Perfumes, e umas rendazinhas para o bebé. Entrou como de costime, sem bater a quase desmaiou: ele conspurcando-lhe o sagrado tálamo nupcial. Ele, o efeminado, o que fora despedido!

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