Wednesday, 30 March 2011

Augusto do Rosário Rodrigues - Canalha de Gravata (1965)

Há escória de toda a qualidade
Escória que pulula nas aldeias,
Escória que vagueia nas cidades,
Escória que eu receio e tu receias.

É difícil saber a sua idade,
Rostos ferozes de túmidas veias,
Heróis do cinismo e da maldade
Semeando homicídios, a mãos cheias.

Bêbados, prostitutas e mendigos,
Envergando farrapos já antigos,
O lodo indesejável – a sucata...

Tudo isto, mesmo assim, é nobre e digno
Pois infinitamente mais maligno
É o canalha vil que usa gravata!

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