Wednesday, 14 September 2011

Juliana Cordeiro Monteiro - Eterno sonho (1965)

Que me diz,
Risonho, o sonho?
- Sou a esperança,
Que acalenta
As almas sedentas
Por um porvir feliz.
- Sou a urna de ilusões,
Frágil como o cristal,
A baloiçar no espaço etéreo,
Para fazer rir e chorar
Até o homem mais sério.
- Quem me procura,
Infatigável, confiante,
Será meu amante,
Mas não me acha nunca.

Contudo,
Não sei porquê,
Também sonhei
Uma vez na vida
E nessa paisagem apetecida
Poisei a vista gulosa,
E o coração em pista
De um bem
Que jamais achei.
Não seria isso sonho,
Se, alguma vez,
Eu pudesse navegar
Nas ondas amorosas
Desse mar de rosas,
Que eram, talvez,
Para que eu, louca,
As namorasse de longe
Com águas na boca.
Mas, ó credulidade de monja,
Que a idade
Não fez esmorecer!
Pois, mil vezes desiludida,
E neste entardecer
Da minha vida,
Nos escombros
Dos meus sonhos desfeitos,
Sonho agora, com efeito,
Mais ainda
Do que sonhei outrora...

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