Monday, 14 February 2011

Rui Peregrino da Costa - Língua Portuguesa (n.d.)

Última flor de Lácio, inculta e bela,
És a um tempo, esplendor e sepultura
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trem e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo
Amo-te, ô rade e doloroso idioma,

Em que da voz maternal ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no seu exílio
O génio sem ventura e o amor sem brilho!

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