Monday, 6 June 2011

José Rangel - Verme (1961)

Quatro paredes sem janelas,
Se mar nem luz,
O viver de gamelas,
A alma cheia de pus…,
A exalçar as algemas
Que (pior tormento),
Sufocam as mais belas gemas
Do pensamento.

Raquítica alma
De migalhas à cata,
A chafurdar na alma
Sob calcadora pata;
Não a aperta a fome,
Não a mata a sede,
Nada a abriga a ser o que é...
A beijar viveu o nome
De quem a traz na rede,
Não pode ter-se em pá...

Chora ó alma
A tua desonra;
Mataste a chama
Que do passado fora a honra.

Lembra-te bem
Que uma eterna voz
Chama sempre do além;
Honra os teus avós...

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